"A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem..." (Guimarães Rosa)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Espero sua ligação. Não aquela de todos os dias, em que conversamos sobre a rotina, a chatice das pessoas e do mundo, a sorte de estarmos juntos. Espero a ligação em que serão ditas as verdades, aquelas que não gostamos de ouvir mas precisamos, sabe? Não consigo acreditar em nós, meu amor. E eu sei que você também não. Isso está tão claro. Eu sei que você gosta de mim, não precisa me lembrar disso. Essas coisas nem precisam mesmo ser ditas. A questão é que você não é pra mim, assim como eu não sou pra você. Estamos ambos preenchendo vazios no coração um do outro. Cheguei rápido demais na sua vida e você se atrapalhou, eu entendo. Você também surgiu depressa demais e eu precisava me libertar! Agarrei essa chance com todas minhas forças. Ninguém gosta de sofrer, meu querido. Fomos usados e agora estaremos livres, não será melhor assim? Não sei quando terei coragem de dizer tudo isso, mas não posso esperar. "Não se fazem mais happy ending como antigamente",não é mesmo?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A música começa. Os olhos se encontram. Nenhum dos dois lembra mais o motivo de tanta espera. Eles queriam, eles se queriam! Uma vontade de chegar mais perto. Enfim, o beijo. Ah, funcionou como um “start”. Agora é vida real. Um futuro espera por eles... Mas, ei, não há o que pensar agora. Eles estão juntos depois de tanto tempo, é o que importa. Enquanto ninguém aperta o “stop”, deixa que eles se gostem, se curtam, se aproveitem, vai.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Cansei de cinema, quero vida real. Cansei de competir com outras histórias, quero criar a minha.

domingo, 5 de setembro de 2010

"Eu quase consegui abraçar alguém semana passada. Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente. Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo." (Tati Bernardi)

terça-feira, 31 de agosto de 2010

"Eu não sei dizer o que sinto, mas já me acostumei com o jeito, com a voz, já sei suas manias, já compreendo seus comportamentos... e apesar do contato pessoal ter sido - e é - tão pouco, tão ingênuo, foi marcante, é inesquecível e sempre vai ser. Porque a intensidade do sentimento que confunde com a amizade, devido à cumplicidade e à facilidade de desenvolver boas conversas se mistura com a falta que me faz quando escuto outras vozes e a dele demora a chegar. Como já disse, não sei explicar, mas sei que fico feliz quando me liga fora da hora combinada apenas pra dizer que precisava ouvir minha voz, fico feliz por isso, porque eu também precisava ouvir a voz dele. A voz dele me faz bem. Não sei explicar, mas sei que mesmo se mudar, não pode mudar muita coisa, porque o que a gente sente é recíproco, mesmo sendo inexplicável e mesmo nos deixando sem entender o que é. Que seja amizade, seja o que for, só pode mudar pra melhor." (Lizianne Houly)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Posso passar um tempão pensando, analisando as possibilidades e recapitulando todos os detalhes. Não sei. Continuo não sabendo. E é sempre tão difícil. "Que coisas são essas que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer?" Não estou sentindo nada. É cedo demais ou... Meu Deus, será tarde demais? Parece que estou presa em algo tão doentio que a ficar sem isso, prefiro continuar só... pelo menos por um bom tempo. Mas, como eu disse, não sei nem mesmo o que está acontecendo. Como discutir, então, algo tão desconhecido, tão novo? Meu coração diz que não. Mas, por outro lado, minha razão grita que sim. Surge como uma saída, uma válvula de escape, uma esperança, last chance.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010




"Nós tínhamos uma coisa que chamo de 'identificazzione di una donna'. Era uma aproximação de alma que rolava comigo, com você (...) pessoas sensíveis, que têm uma alma parecida. As coisas que a gente escolhia para enxergar nesse mundo eram parecidas. Apontávamos para os mesmos lugares (...) Eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim." (Caio Fernando Abreu)

domingo, 8 de agosto de 2010

"Então vocês vão se distanciando e quando vocês se encontram, vocês vão falar assim: oi, tudo bom e tal, como é que vão as coisas? E aí ele vai te falar por cima de tudo o que ele viveu e, não sei, vai ser uma proximidade distante. Não adianta, no momento que as pessoas se afastam elas estão irremediavelmente perdidas uma pra outra." (Caio Fernando Abreu)

"Eu também sou vítima de sonhos adiados, de esperanças dilaceradas, mas, apesar disso, eu ainda tenho um sonho, porque a gente não pode desistir da vida." (Martin Luther King)


"Eu ando muito infeliz, Dudu, este é um segredo que conto só para você: eu tenho achado, devagarinho, cá dentro de mim, em silêncio, escondido, que nem gosto mais muito de viver, sabia?" (Caio Fernando Abreu)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010


"Só o apaixonado por você tem a sagacidade de notar em você o que ninguém notou, fazendo enfim o elogio que nenhum professor lhe fez, a gentileza que nenhum cavalheiro lhe fez, a gracinha que nenhum canalha lhe fez. A paixão alerta sua razão que, ora, você é amado, e amado tanto assim. Então sou o homem mais sortudo do mundo. Porque essa menina rara, de pele tão branca e sardenta, ama-me careca. Um sentimento desses, está claro, pode mudar todas as pedras de lugar. Por isso tem tanta gente que não ama, nem é amado. São os que não aguentam levantar a tampa que os protege do incerto, e mudar. Portanto, quem é que não ama, não se apaixona, não odeia? Os covardes? Com certeza. Os covardes, entretanto, sábios. Naquele conceito de sabedoria que mata você de velho. E morrer de velho, covenhamos, é a coisa mais humilhante do mundo." (Fernanda Young)
“Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Digo o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego.” (João Guimarães Rosa)


"Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É permitir que voe sem que nos leve junto. É aceitar que a esperança há muito se desprendeu do sonho. É aceitar doer inteiro até florir de novo. É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais."
(Ana Jácomo)

sábado, 31 de julho de 2010

"Guarde este recado:
alguma coisa sempre faz falta.
Guarde sem dor, embora doa, e em segredo".

(Caio F.)
Olho-me no espelho e faço promessas. É, promessas e mais promessas. Minha vida está recheada delas. Fecharei minha boca para coisas gordurosas. Cultivarei novas amizades e deixarei pra trás aquelas que vêm me fazendo mal. Vou me concentrar no meu futuro e estudar bastante. Ouvirei com mais atenção os conselhos preciosos da minha mãe. Serei mais carinhosa com meu pai. Voltarei a conversar com meu irmão. Serei paciente com minha irmã. Tentarei diminuir distâncias pra não deixar que amigos desapareçam. E, enfim, vou parar de ter sentimentos certos com pessoas erradas. Fico me perguntando se esses são só meus dilemas. Não é possível, não posso ser assim tão especial. Essas são minhas metas... Tenho medo de não conseguir alcançá-las, e o tempo passar, passar. Tenho pressa! Preciso ser feliz agora.

sexta-feira, 30 de julho de 2010



"Deus, põe teu olho amoroso sobre todos os que já tiveram um
amor sem nojo nem medo, e de alguma forma insana esperam a volta dele: que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem."
(Caio Fernando Abreu)

"A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir “eu te amo” num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender." (Martha Medeiros)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"Porque quando fecho os olhos, é você quem eu vejo; aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim. Dilacerando felicidades de mentira, desconstruindo tudo o que planejei, abrindo todas as janelas para um mundo deserto. É você quem sorri, morde o lábio, fala grosso, conta histórias, me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos, ilumina o corredor por onde passo todos os dias. É agora que quero dividir maçãs, achar o fim do arco-íris, pisar sobre estrelas e acordar serena. É para já que preciso contar as descobertas, alisar seu peito, preparar uma massa, sentir seus cílios. 'Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje?' Não quero saber de medo, paciência, tempo que vai chegar. Não negue, apareça. Seja forte. Porque é preciso coragem para se arriscar num futuro incerto. Não posso esperar. Tenho tudo pronto dentro de mim e uma alma que só sabe viver presentes. Sem esperas, sem amarras, sem receios,
sem cobertas, sem sentido, sem passados. É preciso que você venha nesse exato momento. Abandone os antes.Chame do que quiser. Mas venha. Quero dividir meus erros, loucuras, chocolates... Apague minhas interrogações. Por que estamos tão perto e tão longe? Quero acabar com as leis da física, Não nego. Tenho um grande medo de ser sozinha. Não sou pedaço. Mas não me basto." (Caio F. Abreu)

Caio F.

terça-feira, 27 de julho de 2010

"Dei pra me emocionar cada vez que falo dos amigos. Deve ser a idade, dizem que a gente fica mais sentimental. Mas é fato: quando penso no que tenho de mais valioso, os amigos aparecem em pé de igualdade com o resto da família. E quando ouço pessoas dizendo que amigo, mas amigo meeeeeesmo, a gente só tem dois ou três, empino o peito e fico até meio besta de tanto orgulho: eu tenho muito mais do que dois ou três. São uma cambada. Não é privilégio meu, qualquer pessoa poderia ter tantos assim, mas quem se dedica? Fulano é meu amigo, Sicrana é minha amiga. É nada. São conhecidos. Gente que cumprimentamos na rua, falamos rapidamente numa festa, de repente sabemos até de uma fofoca pesada sobre eles, mas amigos? Nem perto. Alguns até chegaram a ser, mas não são mais por absoluta falta de cuidado de ambas as partes. Amizade não é só empatia, é cultivo. Exige tempo, disposição. E o mais importante: o carinho não precisa - nem deve - vir acompanhado de um motivo. As pessoas se falam basicamente nos aniversários, no Natal ou para pedir um favor - tem que haver uma razão prática ou festiva para fazer contato. Pois para saber a diferença entre um amigo ocasional e um amigo de verdade, basta tirar a razão da cena. Você não precisa de uma razão, basta sentir a falta da pessoa. E, estando juntos, tratarem-se bem. Difícil exemplificar o que é tratar bem. Se são amigos mesmo, não precisam nem falar, podem caminhar lado a lado em silêncio. Não é preciso troca de elogios constantes de carinho, podem dizer verdades duras, às vezes elas são necessárias. Mas há sempre algo sublime no ar entre dois amigos de verdade. Talvez respeito seja a palavra. Afeto, certamente. Cumplicidade? Mais do que cumplicidade. Sintonia? Acho que é amor. Oh, céus! Santa pieguice, Batman! Amor? Esta lengalenga de novo? Sério, só mesmo amando um amigo para permitir que ele se jogue no seu sofá e chore todas as dores dele sem que você se incomode nem um pingo com isso. Só mesmo amando para você confiar a ele o seu próprio inferno. E para não invejarem as vitórias um do outro. Por amor, você empresta as suas coisas, dá o seu tempo, é honesto nas suas respostas, cuida para não ofender, abraça causas que não são suas, entra numas roubadas, compreende alguns sumiços, só liga quando o sumiço é exagerado. Tudo isso é amizade com trato. Se amigos assim entraram na sua vida, não deixe que sumam. Porém, a maioria das pessoas não só deixa, como contribui para que os amigos evaporem. Ignora os mecanismos de manutenção. Acha que amizade é algo que vem pronto e que é da sua natureza ser constante, sem precisar que a gente dê uma mãozinha. E aí um dia abrimos a mãozinha e não conseguimos contar nos dedos nem dois amigos pra valer. E ainda argumentamos que a solidão é um sintoma destes dias de hoje, tão emergenciais, tão individualistas. Nada disso. A solidão é apenas um sintoma do nosso descaso." (Martha Medeiros)
"Estar sozinho é engraçado, louco, angustiante, libertário e triste, tal qual estar com alguém. No entanto, estar sozinho é absolutamente o oposto de estar com alguém. Estar sozinho é fechar as mãos no nada quando se atravessa a rua correndo e não se tem uma mão para segurar. É acordar sem saber o que será do dia porque planejar sozinho dá preguiça. É falar a coisa mais engraçada do mundo para alguém que não vai rir, porque ninguém te entende tão bem. É ficar louca sem cúmplice. Não tem graça ser fora da lei sozinho. É querer contar tanta coisa para alguém, mas para quem? A vida simplesmente acontece para quem está sozinho, às vezes sem que a gente perceba, pois é mais fácil ter noção de si mesmo através de outra pessoa. Estar sozinho é fazer dengo sozinho na cama, sem ninguém para apenas encaminhar o ombro um pouco mais perto. É comer doce demais porque sua boca precisa de um incentivo para continuar salivando vida. É comer doce demais porque estar sozinho dá uma tremedeira estúpida de hipoglicemia. É o doce que substitui mal e amargamente o sexo. Estar sozinho é dormir até tarde no domingo. Não para congelar o tempo na alegria, mas para fazer de conta que o tempo não existe. É conviver com a ansiedade de que você pode encontrar alguém especial a cada esquina, então você tenta ficar bonita. Mas seus olhos não mentem o cansaço da espera e a tristeza de estar solta, e você fica feia. É ter a sensação de que ninguém te olha, pelo menos não como você gostaria de ser olhada. Estar sozinha é estar solta e, no entanto, é estar amarrada ao chão porque nada te faz flutuar, sonhar, divagar. Estar sozinho, ou estar sozinha, pode acontecer com qualquer um. E você torce para que aconteça com a sua melhor amiga, ou com aquele homem que você gostaria de experimentar como uma pílula para a sua solidão. Estar sozinha é não suportar ouvir a palavra solidão porque ela faz sentido. E o sentido dela dói demais. Estar sozinho é ter uma risada nervosa, de quem segura um grito e um choro enquanto ri. Um riso falso para se convencer de que é possível ficar sozinho sem ficar deprimido. Estar sozinho é usar roupas provocantes sem se sentir sexy com elas. É conferir a caixa de e-mails com uma freqüência que beira a compulsão. É chorar do nada. É acordar do nada. É morrer de medo do nada que fica no estômago. Estar sozinho é uma coisa física, ou melhor, é a falta dela. Você se sente oco por dentro, por isso aquele respiro profundo de lamentação. É cogitar enlouquecer. O ombro pesa porque é tenso ficar sozinho. E porque não tem ninguém pra te fazer massagem também. Quando chove, venta, escurece, e você está sozinho, você lembra de Deus e do quanto é pequeno. Estar sozinho é se aproximar de Deus por piedade própria e não por agradecimento, que é o que nos faz aproximar Dele quando estamos amando. Estar sozinho é detestar ficar em casa. Ficar em casa sozinho, quando se está sozinho, é muita solidão. Então você sai, só para não ficar em casa sozinho. E descobre o quanto você é sozinho. E volta pra casa sozinho, e chora vendo fotos. Estar sozinho é implorar paixão e loucura com um olhar para o carro ao lado, segundos antes de você ver que ele não está sozinho. É trabalhar para passar o tempo e só conseguir escrever títulos, roteiros, spots e textos chatos, sem inspiração. É procurar um olhar pela rua e andar por aí com cara de louco. É estar pronta para algo novo e não agüentar mais dias iguais. É ocupar a vida de açúcar, intrigas, fofocas, encrencas. Aventuras tortas. É ocupar a vida dos outros com reclamações, lamentações, dúvidas e carências. Resumindo: estar sozinho é triste, enche o saco dos outros e deve fazer mal para a saúde. (Tati Bernardi)
"Morro de saudade. Que coisa maluca a distância, a memória. Como um filtro, um filtro seletivo, vão ficando apenas as coisas e as pessoas que realmente contam." (Caio F. Abreu)

domingo, 25 de julho de 2010



"A verdade é que me enchi, de você, de nós, da nossa situação sem pé nem cabeça. Não tem sentido continuarmos dessa maneira. Eu, nessa constante agonia o tempo todo imaginando como você vai estar. E você, numas horas doce, noutras me tratando como lixo. Não sou lixo. Tampouco quero a doçura dos culpados, artificial como aspartame.Fico pensando como chegamos a esse ponto. Não quero mais descobrir coisas sobre você, por piores ou melhores que possam ser. Assim, chega. Chega de brigas, de berros, de chutes nos móveis. Chega de climas, de choros, de silêncios abismais. Para quê, me diz? O que, afinal, eu ganho com isso? A companhia de uma pessoa amarga, que já nem quer mais estar ali, ao meu lado, mas em outro lugar? Sinceramente, abro mão. Vou atrás de um outro jeito de viver a minha vida, já que em qualquer situação diferente estarei lucrando. Bom é isso, se agora isso ainda me causa alguma tristeza, tudo bem. Não se expurga um câncer sem matar células inocentes..." (Fernanda Young)


"Às vezes me lembro dele. Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. Nunca mais o vi, depois que foi embora. Nunca nos escrevemos. Não havia mesmo o que dizer. Ou havia? Ah, como não sei responder as minhas próprias perguntas! É possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas. É possível também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar — e principalmente a fingir. Fingir que encontra. Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo. (Caio Fernando Abreu)

sábado, 24 de julho de 2010


"Não sou pra todos. Gosto muito do meu mundinho. Ele é cheio de surpresas, palavras soltas e cores misturadas. Às vezes tem um céu azul, outras tempestade. Lá dentro cabem sonhos de todos os tamanhos. Mas não cabe muita gente. Todas as pessoas que estão dentro dele não estão por acaso. São necessárias." (Caio F. Abreu)

sexta-feira, 23 de julho de 2010





"Poderíamos casar. Não chegaríamos sequer perto do exemplo de família perfeita. Teríamos um apartamento, quem sabe uma casa com jardim e um cão com pêlo brilhante. Improvável. Tomaríamos café as cinco da tarde. Você reclamaria o fato de eu ligar o chuveiro horas antes de ir para o banho. Eu, por você ter arranhado meu CD de jogo favorito. Eu não admitiria o quanto você fica bonito quando bravo e você não diria que lembra da cor do sapato que eu usei quando nos vimos pela primeira vez. Discordaríamos quanto a cor das cortinas. Não arrumaríamos a cama diariamente, beberíamos juntos em algum clube no final de semana. A geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias. Adiaríamos o despertador umas trinta e duas vezes só para ficarmos horas na cama enrolando e falando qualquer besteira. Você me ensinaria alguma coisa sobre futebol, e eu te convenceria a assistir aquele filme no cinema. Sentaríamos na sala de pijama e pantufas, você iria direto para o caderno de esportes no jornal e eu comentaria alguma notícia qualquer. Você saberia o nome do meu perfume, eu saberia onde você largou a última edição da revista de música. Sairíamos pra jantar em algum dia de chuva e não nos importaríamos em chegarmos encharcados. Dormiríamos com o computador ligado. Nos beijaríamos no meio de alguma frase. Você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia. Saberíamos. Poderíamos casar... " (Maiara Queiroz)

quinta-feira, 22 de julho de 2010


"Não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita. Não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar. Fechamos os olhos para garantir a memória da memória. É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras. Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo. O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória. Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível. Viver é boiar, recordar é nadar." (Fabrício Carpinejar)


"Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar. Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta, enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos Cânticos: "Não digas 'Eu sofro'. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram/ que era sofrer ?" Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo, o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama: nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia - coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical. Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker. Disfarçado, comecei a chorar. Troquei os óculos de lentes claras pelos negros ray-ban - filme. Resplandecente de infelicidade, eu subia a Rua Augusta no fim de tarde do dia Tão idiota que parecia não acabar nunca. Ah! como eu precisava tanto de alguém que me salvasse do pecado de querer abrir o gás. Foi então que a vi. Estava encostada na porta de um bar. Um bar brega - aqueles da Augusta-cidade, não Augusta-jardins. Uma prostituta, isso era o mais visível nela. Cabelo malpintado, cara muito maquiada, minissaia, decote fundo. Explícita, nada sutil, puro lugar comum patético. Em pé, de costas para o bar, encostada na porta, ela olhava a rua. Na mão direita tinha um cigarro, na esquerda um copo de cerveja.
E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar - exposta, imoral, escandalosa - sem se importar que a vissem sofrendo. Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para a própria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de néon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca grossa da vida. Sem o recurso dessas benditas levezas de cada dia - uma dúzia de rosas, uma música de Caetano, uma caixa de figos. Comecei a emergir. Comparada à dor dela, que ridícula a minha, dor de brasileiro-médio-privilegiado. Fui caminhando mais leve. Mas só quando cheguei à Paulista compreendi um pouco mais. Aquela prostituta chorando, além de eu mesmo, era também o Brasil. Brasil 87: explorado, humilhado, pobre, escroto, vulgar, maltratado, abandonado, sem um tostão, cheio de dívidas, solidão, doença e medo. Cerveja e cigarro na porta do boteco vagabundo: carnaval, futebol. E lágrimas. Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça vadia chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "porquê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é daí que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?"






(Caio F. Abreu)


quarta-feira, 21 de julho de 2010



"Você que inventou a tristeza,
Ora, tenha a fineza de desinventar."

(Chico Buarque)

"...E eu corro no espelho de novo e repito cem vezes que não gosto de você. Não gosto de você. Não gosto de você. Porque se eu gostar de você, eu sei que você vai embora. E eu simplesmente não aguento mais ninguém indo embora. Porque nessa vida maluca só se dá bem quem ignora completamente a brevidade da vida e brinca de não estar nem aí para o amor. E eu preciso me dar bem e por isso ignoro minha urgência pelo amor. Porque se você sentir urgência em mim, vai é correr urgente daqui. Chega. (...) E se você não se apaixonar por mim mesmo com todo esse teatro de moça banal que eu estou fazendo, vai ser a prova que eu precisava pra saber que você realmente vale a pena." (Tati Bernardi)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

"Eu, visto pelo outro, nem sempre sou eu mesmo. Ou porque sou projetado melhor do que sou, ou porque projetado pior. Não quero nenhum dos dois. Eu sei quem sou. Os outros me imaginam. Inevitável destino do ser humano, de estabelecer vínculos, cruzar olhares, estender as mãos, encurtar distâncias."

(Pe. Fábio de Melo)

domingo, 18 de julho de 2010

"Zé: Vortô pra ficá, né?
Maria: Não, achu qui minha sina é sempre caminhá
Zé: Tu carece é di criar raíz minina
Maria: Num fala assim Zé, eu sinto qui andei, andei, andei e num cheguei a lurgá nenhum, sinto qui um tanto di coisa eu perdi e um tanto di coisa eu num consegui achá... Vivê é assim mermo Zé? Essa coisa doida qui muda sempre? A separação di quem a gente quer? Andança sem pará Zé? Parece tudo sonho. Vivê é isso Zé? E o amô Zé, quando é di verdade? E filicidade Zé, quando é de verdade?
Zé: Ói, a filicidade é o contrai do amô né? A filicidade...
Maria: E na vida Zé, o que vem dipois da morte?
Zé: Num sei. A gente só sabi perguntá, num sabe responder não
Maria: Acho que meu distino é sempre fazer o caminho di vorta. Adeus Zé!
Zé: Mas será pussivi minina qui nossa sina seja sempre si dispidi
Maria: É não Zé! Nossa sina é sempre si incontrá."

(Hoje é dia de Maria)

"Caminhavam assim, lembrando juntos letras de bossa-nova. Ela imitava Nara Leão: se-alguém-perguntar-por-mim. Ele, Dick Farney: pelas-manhãs-tu-és-a-vida-a-cantar. Nada sabiam de punks, darks, neons, cults, noirs. Eram tão antigos caminhando de mãos dadas naquela areia luminosa, macia de pisar quando os pés afundam nela lentamente. Tão bom encontrar você, um cantinho, um violão."

(Caio Fernando Abreu)

sábado, 17 de julho de 2010


"Hoje eu vendo sonhos
Ilusões de romance
Te toco, minha vida
Por um troco qualquer
É o que chamam de destino
E eu não vou lutar com isso
Que seja assim enquanto é..."

Lulu Santos

"Acho uma delícia quando você esquece os olhos
em cima dos meus"

(Chico Buarque)

sexta-feira, 16 de julho de 2010




"Talvez eu seja
O último romântico
Dos litorais
Desse Oceano Atlântico...


Só falta reunir
A zona norte à zona sul
Iluminar a vida
Já que a morte cai do azul...


Só falta te querer
Te ganhar e te perder
Falta eu acordar
Ser gente grande
Pra poder chorar..."


(Lulu Santos)


"Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!"

(Machado de Assis)

quinta-feira, 15 de julho de 2010


“Os outros eu conheci por acaso.
Você eu encontrei porque era preciso."


(Guimarães Rosa)

quarta-feira, 14 de julho de 2010



"A vida se aprende nas perdas. É perdendo a liberdade que a gente descobre que não se encaixa, é perdendo alguém que a gente descobre que não vale a pena lutar por futilidades, é perdendo o apoio que a gente descobre que o resto do mundo não para só porque nosso mundo parou. A gente vai aprendendo a viver assim, na marra, no grito, no sufoco, no impulso. Eu quis mudar o mundo, quis ser brilhante, quis ser reconhecida. Hoje eu quero bem pouco e prefiro me concentrar no agora do que planejar um futuro incerto." (Vêronica H.)

terça-feira, 13 de julho de 2010




"Sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando, mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois." (Guimarães Rosa)



"Não que eu queira te esquecer, eu preciso.E luto contra isso, com todas as minhas forças semi-esgotadas. Preciso desesperadamente esquecer-te, como preciso neste instante de seu abraço e regresso; ou necessito de atenção; de todos os impulsos que Pan teme; que Eros lança à terra.O ar arde-me em labaredas vermelhas. Fogo e dor se misturam em um ciclo interminável. Sísifo em seu ardo labor. IN-VA-RI-A-VEL-MEN-TE…VOCÊ."
(Caio F. Abreu)

segunda-feira, 12 de julho de 2010


“Que você acredite que não me deve nada simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento. Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. Que termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato, a mais bela história de amor da sua vida.” (Tati Bernardi)

aquele sentimento.


"Minha mãe sempre diz: Não há dor que dure pra sempre! Tudo é vário. Temporário. Efêmero. Nunca somos, sempre estamos! E apesar de saber tudo isso, por que algumas dores duram tanto? Por que alguns sentimentos (diga-se de passagem, os mais ridículos) demoram tanto a passar? Por que olhar pra ele reaviva as esperanças perdidas e suscita lágrimas quentes até então contidas? Por que o cérebro ainda não inculcou no coração que esquecer faz bem à saúde? Por que tudo não pode ser como um bonito filme francês?"(Chico Buarque)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

aquela amiga de sempre.




Sabe, meu dia hoje foi tão longo e cansativo. Agora, que ele tá terminando, me bateu uma saudade tão grande de você, minha amiga. Tanta coisa já aconteceu desde que você foi embora, tanta coisa tenho guardado desde então. Sabe aquilo que eu custava em admitir e, quando confessei, voltei a negar? Pois é, é a mais pura verdade. Lembro que você dizia que isso estava escrito no meu rosto. Pode rir. Na verdade, não tem muita graça. De uns tempos pra cá, tem sido muito difícil segurar a barra, muito difícil guardar tanto dentro de mim. Seu conselho me abriria portas nesse momento. Enquanto não o recebo por uma certa falta de tempo de ambas as partes, vou tomando algumas decisões. Resolvi me afastar de algumas pessoas. Estou sentindo uma necessidade tremenda de que sintam minha falta. Isso é muito egocêntrico? Preciso, de verdade, voltar a confiar nas pessoas e abraçá-las sem medo. Elas tão cada vez mais maldosas, sabe? É, minha querida, venho levando tantas rasteiras. Sei que se você estivesse aqui tudo ia ser mais fácil, digamos que você tornava as coisas mais simples. Mas logo vou tentar te ver de novo. Sei que no nosso último encontro pareci meio fria, mas é que é te achei tão diferente. Por favor, não esqueça de nós, eu não esqueço nunca.

Lembra desse texto que você mandou antes de ir embora?
"Talvez um dia nosso filhos se conheçam, sejam amigos, assim comos nós fomos, eles vão rir, como nós riamos! Vão chorar como nós choramos! Vão se apoiar, como nós nos apoiamos! Vão ser felizes, como nós fomos! E seremos, mesmo separadas. Os pensamentos e lembranças estarão sempre vivos na minha cabeça! Mas passei a acreditar em destino, e não acho que seja impossível que daqui a muitos anos, em um lugar qualquer, numa loja, num estacionamento, nós nos esbarremos, riremos muito, e talvez até choraremos juntas, lembrando dos melhores anos da minha vida, que sem dúvida, devo em parte, a você!"

Amo você, sempre.







"E eu tenho vontade de segurar seu rosto e ordenar que você seja esperto e jamais me perca e seja feliz. E entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz. A gente dá muitas risadas juntos. A gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho. A gente acha que o mundo está maluco e sonha com a praia do Espelho e com sonos jamais despertados antes do meio-dia. A gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. A gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida.E você me olha com essa carinha banal de 'me espera só mais um pouquinho'. Querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre volta." (Tati Bernardi)


"Minhas piadas, meu jeito de falar, até meu jeito de dançar ou de andar. Tudo é você. Minha personalidade é você. Quando eu berro Strokes no carro ou quando eu faço uma amiga feliz com alguma ironia barata. Tudo é você. Quando eu coloco um brinco pequeno ao invés de um grande. Ou quando eu fico em casa feliz com as minhas coisinhas. Tudo é você. Eu sou mais você do que fui qualquer homem que passou pela minha vida. E eu sempre amei infinitamente mais a sua companhia do que qualquer companhia do mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso." (Tati Bernardi)

"Dessa vez não vou evitar dizer o que está na minha cabeça só porque eu sei que minha mente geminiana vai negar no dia seguinte, não fugirei de palavras bonitas porque quem diz não é uma pessoa perfeita, não arrumarei mil defeitos pra brigar contra as novecentas e noventa e nove qualidades, não desviarei meus olhos por medo de ter minha mente lida, não sumirei por medo de desaparecer, não vou ferir por medo de machucar, não serei chata por medo de você me achar legal, não vou desistir antes de começar, não vou evitar minha excentricidade, não vou me anular por sentir demais e logo depois não sentir nada, não vou me esconder em personagens, não vou contar minha vida inteira em busca de ter realmente uma vida.Dessa vez não vou querer tudo de uma vez, porque sempre acabo ficando sem nada no final.Estou apostando minhas fichas em você e saiba que eu não sou de fazer isso. Mas estou neste momento frágil que não quer acabar. Fiquei menos cafajeste, menos racional, menos eu. E estou aproveitando pra tentar levar algo adiante. Relacionamentos que não saem da primeira página já me esgotaram, decorei o prólogo e estou pronta pro primeiro capítulo. Eu não procuro alguém pra pertencer e ter posse, so quero uma fonte segura de amor que não dependa das obrigações, das falas decoradas, dos scripts prontos. Eu sei que eu abri mão de varias oportunidades. Sei que fiz pouco caso do amor que me entregaram de maneira pura e gratuita, so porque eu achava que podia encontrar coisa melhor. Se as pessoas estão sempre indo e vindo, eu so queria alguém minimamente eterno em sua duração, que me fizesse parar de achar normal essa historia de perder as pessoas pela vida. Vou embora querendo alguém que me diga para ficar. Estou sempre de partida, malas feitas, portas trancadas, chave em punho. No fundo eu quero dizer 'me impede de ir. Fica parado na minha frente e fala que eu tenho lugar por aqui, que não preciso abandonar tudo cada vez que a solidão me derruba. Me ajuda a levar a vida menos a sério, porque é só vida, afinal.' E acabo calada, porque não faz sentido dizer tudo isso sem ter pra quem. Só quero um romance, que seja doce e lindo." (Verônica H.)

quarta-feira, 7 de julho de 2010


"Porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloquentes como 'sempre' ou 'nunca'. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente continuamos. E substituímos expressões fatais como 'não resistirei' por outras mais mansas, como 'sei que vai passar'. Esse é o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência." (Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Era melhor.


"Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando á pé pra casa, avariada. Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez este seja o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória, sem sequelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada. Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor. Era melhor." (Martha Medeiros)

domingo, 4 de julho de 2010


"Você está sempre ao meu lado e pela primeira vez não sei como lidar com isso. A verdade é que todas as vezes que eu agradeço pela sua amizade estou procurando uma forma de dizer o quanto gostaria de ficar com você. Acontece que eu tenho um passado cheio de marcas e um coração acostumado com a incerteza das aventuras. E você sabe disso, sabe com toda a discrição de quem não gostaria de saber. Só eu sei o quanto a proximidade nos afasta nessa hora. Eu não sou mesmo a mulher que você espera pra casar e encher a tua casa de filhos. Eu sou aquela que te escuta todos os dias e te põe no colo todas as noites, aquela que faz qualquer sacrifício pra arrancar um sorriso teu em dias de dor, aquela que te acompanha nas noites de insônia e te acorda no melhor do sono. Eu queria saber brincar de faz de conta, pra fazer de conta que eu sou exatamente aquilo que você deseja, mas não sei. Eu bebo, não vou a missa, vivo faltando a academia, falo palavrão e tenho o péssimo hábito de me comportar exatamente como aquelas mulheres com as quais você vive dizendo que jamais teria algo sério. Mas aqui no fundo eu tenho a certeza de que te agrado como nenhuma outra, porque não preciso fazer joguinho ou carinha de 0 km pra segurar um bom partido, porque não ando por aí pegando qualquer um só pra te mostrar o que você anda perdendo e porque, enquanto você é cercado de garotinhas fúteis, eu me cerco de livros pra depois te contar o que aprendi com eles. Parece mentira, logo eu que tenho palavras pra tudo, não consigo uma única palavra que demonstre o quanto eu faria toda força do mundo pra que você me visse com outros olhos. É que você é diferente de todas as oportunidades que eu já tive, você não é errado, não tem problemas, não tem vícios, nem sequer consegue ser chato. Você tinha que ter um defeito... Droga, só um. Você devia ser feio, ter unha cravada ou chulé. Mas você não tem nada pra me repelir e tem tudo que me rouba atenção. Eu sei o que você pensa quando olha pra mim. Talvez se eu fosse mais comportada, falasse mais baixo e não chamasse tanta atenção. Talvez se eu bebesse um pouco menos, te desse menos trabalho e não fosse tão do agora. Talvez se eu não tivesse chegado tão perto, nem te tocado tão fundo, nem sido tão eu... talvez haveria alguma possibilidade. Sabe, eu pensava que quando encontrasse o homem perfeito, depois de todas essas cicatrizes, eu não sofreria mais por amor, afinal ele só me faria bem. Mas foi um erro pensar assim, porque você me faz tão bem que eu não consigo ser boa o suficiente pra você e isso me faz sofrer tanto quanto eu sofri por aqueles que não eram bons o suficiente pra mim. Eu não posso te dizer essas coisas e nem posso esperar você me querer. Não quero que sinta nenhum remorso por não atender as minhas expectativas quando na verdade eu que não atendo as suas. Mas eu continuarei perto de você, sentindo um soco no coração sempre que alguma folgada vem te cumprimentar com um beijinho, te aconselhando sobre mil coisas que me convém e fazendo fofoca de todas as garotas que se aproximarem só pra eu ter certeza de que sou a única por perto." (Amanda Teles)



"Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.” (Caio F. Abreu)

sexta-feira, 2 de julho de 2010



"Permita que eu feche os meus olhos, pois é muito longe e tão tarde! Pensei que era apenas demora, e cantando pus-me a esperar-te. Permita que agora emudeça: que me conforme em ser sozinha. Há uma doce luz no silencio, e a dor é de origem divina. Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo, e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo." (Cecília Meireles)
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Deixe que eu vá embora. Se o certo é ficarmos juntos, num futuro não tão distante, a gente se encontra. Hoje não. Não posso te oferecer o que você tanto quer e você também não pode me dar o que eu preciso. Por mais que cada gesto seu me desequilibre, fazendo com que eu fique um pouco sem ar, um pouco sem voz, não é a hora da nossa amizade dar um passo tão grande. Tou indo embora, viu? Tou indo...


"Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachada, com o cofrinho aparecendo. Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo: pularia pelada de bungee jump. Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, de qualquer espírito. Mas amor não se pede, imagine só. Ei, seu tonto, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada com sua presença? Não, não dá pra dizer isso. Ei, seu velho, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença? Não, você não pode dizer isso. Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença? Definitivamente, não, melhor não. Amor não se pede, é uma pena. É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira. É uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinho sonhos. Mas você não pode, não, eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro desgraçado e dizer: ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema? Mas amor, minha querida, não se pede, dá raiva, eu sei. Raiva dele ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto. Raiva dele fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta. Raiva dele ter tirado as cores bonitas do mundo, a felicidade imensa em ver crianças sorrindo, a graça na bobeira de um cachorro querendo brincar. Ele roubou sua leveza mas, por alguma razão, você está vazia. Mas não dá, nem de brincadeira, pra você ligar pro cara e dizer: ei, a vida é curta pra sofrer, volta, volta, volta. Porque amor, meu amor, não se pede, é triste, eu sei bem. É triste ver o Sol e não vê-lo se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ele, são tristes as noites que cumprem a promessa. É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca. Aquele cheiro que dá vontade de transar pro resto da vida. É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz. Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado. É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar. É triste lembrar como eu ria com ele. Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa? Ele sabe, ele sabe." (Tati Bernardi)

domingo, 27 de junho de 2010

é isso.


Por um dia, agi como outras pessoas, fiz coisas que nunca tive coragem (ou melhor, vontade) e sabe de uma coisa? Não me senti tão feliz e tão livre como me disseram que eu ia ficar. Não sei ser outra pessoa. Sou assim mesmo. Felicidade pra mim não precisa vir acompanhada das maiores loucuras, dos maiores riscos. Gosto de me sentir segura, de saber pra onde estou indo e, principalmente, com quem estou indo. Não preciso fazer amizades de uma noite, não vejo vantagem nisso. Muitas vezes fui e sou criticada por esse meu jeito. Mas cheguei a conclusão que DANE-SE quem não aprova minha maneira de encarar as coisas. Claro que não tapo meus ouvidos pra os conselhos que recebo, mas sou vou seguir aqueles que condizem com o que EU acho certo. Se for pra eu errar que seja com meus erros, não quero culpar ninguém pelos meus tropeços. Não quero mais me sentir como estou me sentindo agora, não mais.


"Eu escrevo teu nome nessas pedras que vou jogando por onde passo. No fundo, espero que você me siga, mas não tenho coragem de pedir. Aí, tem gente que vem, sem nem ser chamado, sem nem se importar com o fato do nome escrito ali, ser outro. As pessoas não ligam pra essas pequenezas, sabe? Eu ligo. Ligo pra tudo. Sou mais de detalhes, que do todo. Sempre fui. O fato é que fico olhando pra trás pra ver se você está vindo e já tropecei umas quantas vezes. Esses dias mais. Isso porque não sinto teu cheiro no ar, não ouço o teu riso passeando pelas horas. E sinto falta. E sinto um quase-medo. Embora não tenha a menor ideia de quê. Sabe quando você pressente o monstro no escuro, mesmo sem poder vê-lo? É assim. Não sei se você entende, não sei se alguém entende e, realmente, não me importo. Não me importo mais com um monte de coisas. Dos benefícios do tempo. Hoje, parei e sentei bem aqui na beira desse rio que me atravessa. Só pra te pensar bem forte e te fazer sentir amor do lado de lá. Sim, porque você ainda não atravessou a ponte, bem sei. Mas, ando me sentindo fraca e cansada. Tenho andado demais, jogado pedras demais, esperado demais e você não me alcança. Talvez, seja melhor mergulhar e afogar os pensamentos. Espero que você consiga chegar a tempo e salvar os mais bonitos." (Briza Mulatinho)


sábado, 26 de junho de 2010

(...)



"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais - por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!” (Caio)




sexta-feira, 25 de junho de 2010

Caio...


"Olha, estou escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem sempre que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa. Hoje eu achei que ia conseguir, que ia conseguir dizer, quero dizer, dizer tudo aquilo que escondo desde a primeira vez que vi você, não me lembro quando, não lembro onde. Hoje havia calma, entende? Eu acho que as coisas que ficam fora da gente, essas coisas como o tempo e o lugar, essas coisas influem muito no que a gente vai dizer, entende? Pois por fora, hoje, havia chuva e um pouco de frio: essa chuva e esse frio parece que empurram a gente mais para dentro da gente mesmo, então as pessoas ficam mais lentas, mais verdadeiras, mais bonitas. Hoje eu estava assim: mais lento, mais verdadeiro, mais bonito até. Hoje eu diria qualquer coisa se você telefonasse. Por dentro também eu estava preparado para dizer, um pouco porque eu não agüento mais ficar esperando toda hora você telefonar ou aparecer, e quando você telefona ou aparece com aquelas maçãs eu preciso me cuidar para não assustar você e quando você pergunta como estou, mordo devagar uma das maçãs que você me traz e cuido meus olhos para não me trairem e não te assustarem e não ficarem querendo entrar demais dentro dos teus olhos, então eu cuido devagar tudo que digo e todo movimento, porque eu quero que você venha outras vezes e eles dizem que se eu me mostrar como realmente sou você vai ficar apavorado e nunca mais vai aparecer nem telefonar — eu não agüento mais não me mostrar como sou (...) Eu sei que você quer me ver. Eu sei que você fica os dias inteiros caminhando atrás daqueles muros brancos esperando eu aparecer. Eles não deixam, acho que você sabe que eles não deixam. Não vão deixar nem esta carta chegar às suas mãos, ou vão escrever outra dizendo que eu não gosto de você, que eu não preciso de você. Mas é mentira, você tem que saber que é mentira, acho que era isso que eu queria dizer. Preciso escrever depressa antes que eu me esqueça do que eu queria dize... era isso: eu preciso muito muito de você, eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando. Você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo. Você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro ou do outro lado. Parei um pouco de escrever para olhar pela janela e principalmente para ver se eu conseguia deter o parafuso entrando no pensamento. Acho que consegui. Porque quando começo assim não consigo mais parar, e não quero que eles me dêem aquela injeção, não quero ouvir eles dizendo que não tem remédio, que eu não tenho cura, que você não existe. Eu acho graça e penso em como você também acharia graça se soubesse como eles repetem que você não existe. Depois eu paro de achar graça e fico olhando a porta por onde não entra o telefone por onde você não fala e me lembro do pedaço apodrecido daquela maçã e então penso que talvez eles tenham razão, que talvez você não venha mais, e com dificuldade consigo até pensar que talvez você não exista mesmo. Mas não é possível, eu sei que não é possível: se estou escrevendo para você é porque você existe. Tenho certeza que você existe porque escrevo para você, mesmo que o telefone não toque nunca mais, mesmo que a porta não abra, mesmo que nunca mais você me traga maçãs e sem as suas maçãs eu me perca no tempo, mesmo que eu me perca. Vou terminar por aqui, só queria pedir uma coisa, acho que não é difícil, é só isso, uma coisa bem simples: quando você voltar outra vez veja se você me traz uma maçã bem verde, a mais verde que você encontrar, uma maçã que leve tanto tempo para apodrecer que quando você voltar outra vez ela ainda nem tenha amadurecido direito."

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O amor não tira férias.



"Eu sei como é se sentir extremamente pequena e insignificante e como isso dói em lugares que você nem sabia que tinha em você. E não importa quantos cortes de cabelo você faça, quantas vezes vá a academia ou quantas garrafas você toma com suas amigas, você continua indo pra cama todas as noites, repassando todos os detalhes e se perguntando o que fez de errado ou como pôde ter entendido errado... ou como por aquele momento pensou que era feliz. Até se convence que um dia ele irá se arrepender e virá bater na sua porta... e ,depois de tudo, ainda que essa situação tenha durado muito tempo, você vai para um lugar novo e conhece pessoas que te fazem sentir útil de novo... e vai recompondo sua alma, pedaço a pedaço... e toda aquela confusão, os anos desperdiçados da sua vida começam a desaparecer..."

Palavras que não digo.


"Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça." (Caio F. Abreu)



Sou muito cética, mas, ao mesmo tempo, sou muito curiosa. Sendo assim, tempos atrás fui à cartomante. Ao perguntar sobre você, sobre o que eu poderia esperar, ela me disse uma coisa que ficou martelando na minha cabeça. Disse que por eu sempre estar na expectativa de algo com você, acabava me fechando pra pessoas que realmente se interessavam por mim. Não, eu continuo não acreditando nessas coisas, mas depois de inúmeras reflexões cheguei à conclusão de que ela acertou nesse ponto. Eu deixo de vivenciar inúmeras situações por estar presa a esse sentimento. Não te culpo, claro que não. Você precisa de mim. Eu também preciso de você. Às vezes surge uma vontade acompanhada de uma coragem, e aí eu penso em desabafar tudo o que venho passando há um ano... Mas elas logo vão embora. E eu, então, persisto nisso. Como queria que você me desejasse... Nem que fosse só por um dia, sabe? Faz isso por mim?

domingo, 20 de junho de 2010

para o melhor.


Eu sei que, de certa forma, as coisas mudaram. Nossos horários não combinam mais, nossos amigos não são mais os mesmos, nossa realidade é outra... Estamos tão distantes, tão separados e o pior é que nos acostumamos com isso. Há muito tempo não conversamos. Se me contassem, um tempo atrás, eu não acreditaria que um dia estaríamos assim. Hoje você não faz ideia de quais são as minhas dores, minhas angústias e até minhas alegrias. Você deve tá se perguntando o que eu pretendo com tudo isso. Bom, eu prometi há muito tempo que não permitiria nunca que acontecesse um afastamento entre nós... E aqui estou eu, correndo pra te alcançar, não posso te deixar ir embora. Você foi minha segurança por muito tempo, e eu tou precisando disso de novo. Quantas vezes me apoiou e me fez sentir melhor em momentos difíceis? Quantas e quantas vezes vibrou com a minhas conquistas como se elas pertencessem a você? Inúmeras, incontáveis. Eu quero, eu preciso ter você mais perto, mais presente. Por favor, queira também.

sábado, 19 de junho de 2010

Verônica H, perfeita ;)




"Se sua partida é mesmo inevitável, se seu sonho é mesmo indispensável, se sua vida é mesmo impenetrável, vá logo de uma vez. Não permita que eu me apegue e faça planos, não me deixe crer no que não há verdade. Vá antes de borrar minha maquiagem, ferir minha coragem, antes que eu jogue meus instintos de sobrevivência definitivamente pela janela do prédio como se não me importassem mais sentimentos próprios. Não provoque meus medos, não confunda meu discernimento e não destrua meu equilíbrio. Apenas vá. Leve tudo o que é seu para que a lembrança não perfure meu sorriso cheio de lágrimas. Não me deixe criar um relacionamento individual onde eu sou todos os personagens e nenhum enquanto você é a plateia, única, que faz questão de não aplaudir minhas fragilidades teatrais. Você que preenche minhas lacunas de medo e cinco minutos de vida, deve ter um longo caminho de volta pro seu ser, enquanto eu sobrevivo de te esquecer daqui a pouco. Se minhas palavras embaralhadas confundem sua mente, nem peço lucidez. Já sei o quanto você gosta de estar entorpecido pra esquecer seus problemas ao invés de resolvê-los. Mas não ignore o que eu sou por não ter forças em me decifrar, não fuja antes de saber o que eu posso fazer pra te dar uma vida. Seu medo é de ser feliz? Então dividimos esse pavor doentio da alegria, podemos partilhar o pânico de sorrir até que a tristeza não faça mais sentido a dois. Se sua partida é mesmo inevitável, se seu sonho é mesmo indispensável, se sua vida é mesmo impenetrável, ao menos arrisque me carregar junto de você."

É, eu posso!

Eu consegui, passei por cima de todos meu medos. Eu consegui! Mais do que nunca tenho certeza de que eu posso, sim, me supreender comigo mesma. Essa foi a primeira, tenho certeza, de muitas conquistas. Nunca estive tão feliz. Obrigada, meu Deus!

terça-feira, 15 de junho de 2010

O de sempre...



"Eu prefiro morrer sua amiga do que quebrar algum elo misterioso e te perder para sempre. Te perder como sempre… Tenho vontade de perguntar baixinho: você não gosta nem um pouquinho de mim? Nem sequer um tiquinho? Eu sempre me apaixono por você.Todas as vezes que te vi, eu sempre me apaixonei por você. Eu nunca vou entender. Eu nunca vou saber porque a vida é assim. Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais. Você me lembra o mistério da vida… É assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo. É isso, sei lá, mas acho que amo você. Amo de todas as maneiras possíveis. Sem pressa, como se só saber que você existe já me bastasse. Sem peito, como se só existisse você no mundo e eu pudesse morrer sem o seu ar. Sem idade, porque a mesma vontade que eu tenho de te beijar em qualquer lugar eu tenho de passear de mãos dadas com você empurrando nossos bisnetos. E por fim te amo até sem amor, como se isso tudo fosse tão grande, tão grande, tão absurdo, que quase não é. Eu te amo de um jeito tão impossível que é como se eu nem te amasse. E aí eu desencano desse amor, de tanto que eu encano. Ninguém acredita na gente: nenhuma terapeuta, nenhum parente, nenhum amigo, nenhum e-mail, nenhuma mensagem de texto, nenhum rastro, nenhuma fofoca e, principalmente (ou infelizmente): nem você. Mas eu te amo também do jeito mais óbvio de todos: eu te amo burra. Estúpida. Cega. E eu acredito na gente. Amo você, mesmo sem você me amar. Amo seus rompantes em me devorar com os olhos e amo o nada que sempre vem depois disso. Amo seu nada, apenas porque o seu nada também é seu. Amo tanto, tanto, tanto, que te deixo em paz. Deixo você se virando sozinho, se dobrando sozinho. Virando e dobrando a sua esquininha. Afinal, por ela você também passou quando não me quis mais, quando não quis mais a minha mão pequena querendo ser embalsamada eternamente ao seu lado.” (Tati Bernardi)